Bad Bunny: um “style icon”?

O que é um “style icon”? Se criássemos uma definição em 2026, sabemos que teríamos de incluir o nome de Bad Bunny.

Benito Antonio Martínez Ocasio, artisticamente conhecido como Bad Bunny, fez história no fim de semana passado (1 de fevereiro de 2026) ao ser o primeiro latino a ganhar o prémio de Álbum do Ano nos 68th Grammy Awards com “DeBí TiRaR Más FOToS”. No próximo fim de semana (8 de fevereiro), voltará a marcar uma era ao ser um dos primeiros artistas a atuar em espanhol no intervalo do Super Bowl LX

No campo da moda, o cantor também quebra barreiras e deixa a sua marca. Precisas de provas? Explicamos abaixo!

A evolução que se veste

Inspirado por tudo e todos que o rodeiam, a moda foi uma forma de expressão para Bad Bunny desde o seu primeiro álbum, “X 100PRE” (2018). Típico dos artistas de trap, o streetwear colorido era o seu favorito e a extravagância nunca ficava em casa. Monogramas Louis Vuitton, óculos de sol arrojados, casacos holográficos, conjugação de padrões e “grillz” (capas decorativas removíveis feitas de ouro, prata ou pedras preciosas) nos dentes foram algumas das coisas que usou na primeira fase da sua carreira.

Entrando na década de 2020, o seu estilo tornou-se mais monocromático e as texturas passaram a ter um destaque ainda maior. 

Aquando do álbum “nadie sabe lo que va a pasar mañana” (2023), a inspiração do oeste fez-se notar no uso da ganga e na conjugação do estilo cowboy com a alfaiataria.

À medida que o seu género musical evoluiu, o seu estilo também se transformou em algo mais refinado, com abordagens às silhuetas clássicas que nunca esquecem o “je ne sais quoi” e a originalidade que o cantor traz a cada look que apresenta.

Roupa: uma questão sem género

A forma como sempre usou as cores e padrões revelavam desde o início a liberdade com que se vestia. Seguro de si, sempre vestiu aquilo que melhor refletisse a sua personalidade e o género nunca foi uma questão.

Ao longo dos anos, vimos o cantor usar saias, unhas pintadas e crop tops sem qualquer pudor. Em 2023, surgiu na passadeira vermelha da Met Gala (uma gala de beneficência a favor do Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque na qual os convidados estão subordinados a um tema específico) com um fato sem costas adornado com um véu de 8 metros com rosas da autoria da marca francesa Jacquemus. No Grande Prémio da Fórmula 1, no Mónaco, usou um “top” justo de Jean Paul Gaultier com um padrão de biquíni. O cantor chegou mesmo a vestir-se e a caracterizar-se como mulher no vídeo da sua música “Yo perreo sola” (2020) e a protagonizar a campanha “LE SPLASH” da Jacquemus com um vestido curto rosa.

Numa mistura entre elementos tradicionalmente masculinos e femininos, Benito abre portas à redefinição das normas de género enquanto quebra estereótipos do que pode ser a moda masculina no geral e na atmosfera da música latina em particular.

A moda como herança cultural

Nascido e criado em Porto Rico, Bad Bunny homenageou não só a história e cultura do seu povo como também os problemas que afetam a ilha e os seus conterrâneos no álbum que o catapultou para ser o artista mais ouvido de 2025 no Spotify. Em termos estéticos, as suas origens também nunca ficaram esquecidas.

O cabelo, inicialmente rapado, passou a ser mais um elemento de styling, tendo usado tranças com missangas - um penteado típico da cultura afro-latina - em 2020. Para a sua primeira Met Gala, em 2022, o cantor e os seus stylists procuraram saber como se vestiam as pessoas de Porto Rico na “Época Dourada dos EUA” (1870-1900). Daí surgiu um coordenado criado pela Burberry com saia, mangas bufantes e elementos de alfaiataria, incorporando a herança cultural e a fluidez a que Benito nos habituou e de que falámos na secção anterior. Na gala de 2024, Porto Rico ficou patente num bouquet têxtil com “flor de maga”, a flor nacional da ilha que também esteve presente num broche do look de 2025. No entanto, no ano passado, o foco virou-se para o chapéu pava, um acessório porto-riquenho habitualmente feito de palha e com um aspeto fora do habitual.

Desta forma, a cada look, o fenómeno caribenho transforma as suas raízes em algo palpável e registado na história da moda e na memória de todos os que o seguem.

Estilo como forma de expressão

Ao longo dos anos, Bad Bunny foi revelando que o seu sentido estético é aprimorado e irreverente. As suas aparições na Met Gala tornaram-no inegável.

Bad Bunny, como artista, é onde “se manifestam todas as personalidades que Benito nunca se atreveu a mostrar”, como disse à Vogue enquanto se preparava para a Met Gala 2023

Numa fusão contrastante entre o streetwear e a alfaiataria, a cor e o neutro, o moderno e o tradicional, Bad Bunny tornou-se um “fashion IT boy” que é impossível ignorar. Agora já percebes porque é que o consideramos um “style icon”?