O cenário é Lower East Side (Nova Iorque) no ano 1952. Marty Mauser trabalha na sapataria do tio e não quer ficar por aí. Ele autoproclama-se como o melhor, mas como é que ele vai levar os outros a pensar o mesmo? É aí que a figurinista Miyako Bellizzi, designer e colaboradora frequente de Josh Safdie, entra em cena.
Para Marty, o espírito é “fake it until you make it” (finge até conseguires, numa tradução literal). A ambição está espelhada na forma como Marty se veste e é particularmente visível no fato cinzento, ainda envolto no plástico da lavandaria, que ele diz ter comprado de propósito para levar um campeonato internacional.
Num filme em que Timothée usou lentes de contacto para poder usar os óculos da personagem para corrigir a vista, é de crer que a autenticidade e a exatidão histórica sejam primordiais e Miyako Bellizzi levou isso muito a sério. Nenhuma marca contemporânea foi utilizada nos figurinos (sim, roupa interior incluída) e parte da roupa foi encontrada no mercado de segunda mão vintage. No entanto, devido à escassez de figurinos (por exemplo, os equipamentos das equipas de ténis de mesa de vários países) e às cenas de ação do filme que poderiam levar à degradação dos figurinos, a maioria foi feita de propósito para “Marty Supreme”, por Miyako Bellizzi e a sua equipa.
As referências foram essenciais para recriar um ambiente fiel da época, não só em Nova Iorque como em Londres, Japão e outras localizações da história. Os filmes de Ken Jacobs, que documentam o Lower East Side nos anos 50, assim como livros, fotografias - inclusive fotografias de família da figurinista que tem ascendência japonesa - , retratos e jogos de pingue-pongue foram fontes de informação que ajudaram a construir um mundo fidedigno para um filme de época.
A atenção foi até ao mais ínfimo detalhe. A personagem Marty Mauser é vagamente inspirada pelo campeão de ténis de mesa Marty Reisman, que tinha um estilo excêntrico e colorido. Certos detalhes, como umas luvas vermelhas, foram adicionados ao estilo de Marty Mauser para que essa referência não ficasse esquecida.
A figurinista também teve em conta as diferenças entre classes e a velocidade da moda naquela época. Por um lado, personagens como Kay Stone, interpretrada por Gwyneth Paltrow, teve os seus figurinos inspirados nos primórdios de marcas como Balenciaga e Dior que começavam a ter relevância na altura. Por outro, muitos fatos utilizados refletiam as silhuetas dos anos 40, porque, em 1952, a maior fatia da população não estaria a utilizar algo feito na mesma década, salvo personagens como Milton, que dispunha de posses para tal.
No filme “Marty Supreme”, a moda deixou de ser um mero adereço, para se tornar uma realidade credível e uma personagem central que não ofusca a história.