As tendências que vão moldar 2026

2026 acabou de começar e a questão que paira no ar é “será 2026 o novo 2016?”

Depois de uma pandemia, de estéticas e microtendências que duraram tanto quanto o nosso “attention span” e de termos passado a ser uma sociedade polarizada que está cronicamente online, é mais do que normal que a nostalgia bata em relação a um ano em que, à distância de uma década, tudo parecia mais simples. 

Os vídeos que nos mostram como ter um ano mais analógico multiplicam-se, os “dumps” trazem mais naturalidade aos posts, mas… será que esta semelhança se confirma naquilo que se vai usar em 2026? Não temos tantas certezas.

Volume Down

Numa época em que tudo parece uma simulação, o mundo parece estar a desistir de andar sempre nas alturas para conseguir sentir-se mais terra-a-terra (pelo menos, tanto quanto possível). 

O reinado das Adidas Samba abriu as hostilidades entre as “chunky soles” e as “low profile” no início dos anos 2020. Desde aí, o tamanho do calçado diminuiu na mesma medida em que o nosso tempo de ecrã aumentou. 

As solas de plataforma deram lugar a solas rasas que se refletiram em modelos inspirados pelo automobilismo e pelas artes marciais, como as Puma Speedcat e as adidas Taekwondo. Em 2025, o encolher do calçado tomou proporções literais com as “Collapse Sneakers” (sapatilhas colapsáveis, numa tradução à letra) da coleção da Prada. 

Em 2026, o modo é “low profile”. Resta saber se vais continuar a dar nas vistas com as tuas sapatilhas novas.

Feeling Good

Pode parecer demasiado específico, mas estão a ver a cena final do filme Barbie (2023), em que a criadora da boneca lhe diz “Fecha os olhos. Agora, sente.”? Isso sumariza tudo o que possamos escrever sobre esta tendência.

Num mundo dessensibilizado por notícias chocantes 24/7 em que a textura que mais sentimos é a suave e deslizante película de ecrã do telemóvel, torna-se urgente sentir e ao contrário da tendência anterior, no que toca a sentir, mais é mais!

Renda, pêlo, cabedal, lã… tu escolhes o que vais usar para te expressar. Se procuras um “glamour” que lembra os anos 80, aposta no brilho do couro. Se queres estar conectad@ com o teu lado mais selvagem, aposta no “animal print” que não se fica pelo estampado. Se queres adotar uma estética delicada e trabalhada, a renda vai ser a tua melhor amiga.

Este ano, não guardes tudo para ti. Partilha o que sentes com o mundo através do que vestes.

Function +

Que tipo de pessoa és?

  1. A pessoa que tem como meta para 2026 aproveitar cada segundo sem trabalho para estar “offline” a aproveitar a vida ao ar livre
  2. A pessoa que assumiu o conforto como mote desde a quarentena e nunca mais voltou atrás
  3. A pessoa que tem ansiedade climática e quer estar preparad@ para enfrentar qualquer meteorologia que as alterações climáticas nos proporcionem

Se te identificaste com uma ou mais respostas, não precisas de procurar mais no mapa, chegaste ao destino final.

Tal como tu, a sociedade tem vindo a sentir que aquilo que usa deve cumprir uma função. Marcas como a Salomon passaram a ser usadas tanto em trilhos como na cidade, tecnologias como o Gore-Tex são reconhecidas e procuradas e a tendência “Gorpcore” cresceu exponencialmente dentro e fora das redes sociais. Ficou por aqui? Nem por isso, a tendência é que o utilitarismo seja primordial nas compras que fazemos. 

Dos impermeáveis para a chuva, gorros e óculos de sol às sapatilhas que se conseguem adaptar a qualquer estado do tempo, em 2026, a funcionária do mês será a tua indumentária.

Baby I’m Yours

“Instagram face”? “-core”? “Estética x”? A questão que fica é: estamos todos iguais? 

Apesar da popularização das intervenções estéticas que definem a norma, das microtendências que nos agrupam e tornam homogéneos e da nossa fonte de inspiração estar cada vez mais confinada ao algoritmo, as pessoas não querem ser apenas “copy-paste” daquilo que veem na “internet”

Pode parecer um paradoxo falar disto num artigo sobre tendências, mas não somos os primeiros a dizê-lo nem seremos os últimos: as tendências devem encaixar-se no teu estilo, não ao contrário.

Dito isto, a procura pela personalização e pela originalidade tem aumentado nos últimos anos. Não é coincidência que as pesquisas dos termos “charms”, “trinkets”, “bag charms” e “trinket” tenham aumentado exponencialmente em 2025. A moda é ter a mala cheia de bugigangas, mas cada pessoa tem as suas. A propensão para a individualidade também está espelhada na forma como usamos acessórios como os atacadores (inspirados pela colaboração entre a New Balance e a Miu Miu) ou porta-chaves.

Em suma: moda e estilo? São assuntos pessoais.

“A moda muda, o estilo fica”

Num mundo acelerado em que as tendências nascem e morrem no feed, 2026 parece ter outros planos. Na vida real, as silhuetas afinam, os materiais ganham destaque, a utilidade é central e o “eu” é expresso em cada detalhe.
Olhando para o contexto atual, dificilmente poderia ser de outra forma. Este artigo pode servir de ponto de partida para o próximo ano, mas há uma regra que se mantém: a moda só faz sentido quando é usada à tua maneira.